Iema garante monitoramento contínuo do pó preto para o 2º semestre

today2 de abril de 2025
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O presidente da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente da Assembleia, deputado Gandini, defendeu a nova tecnologia “para intervir no momento do pico de emissão”

O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) anunciou que, a partir do segundo semestre deste ano, dará início ao monitoramento contínuo, em tempo real, da Poeira Sedimentável (PS), conhecida popularmente como pó preto.

A novidade foi divulgada durante reunião da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado estadual Fabrício Gandini (PSD), nesta terça-feira (1º). O monitoramento permitirá acompanhamento em tempo real e maior fiscalização sobre a poluição atmosférica na Grande Vitória.

Durante a reunião, a gerente de Licenciamento do Iema, Delanie Tienne, fez o anúncio e explicou que o monitoramento contínuo será realizado com uma nova tecnologia, após testes insatisfatórios durante dois anos com equipamentos de uma empresa francesa.

Gerente de Licenciamento do Iema, Delanie Tienne.

“Fizemos um novo chamamento público, e agora estamos testando a tecnologia da empresa capixaba EcoSoft, que apresentou resultados mais satisfatórios. Com o monitoramento automático, teremos dados de hora em hora, permitindo ação imediata das autoridades”, detalhou.

De acordo com ela, a expectativa é que o monitoramento contínuo tenha início no segundo semestre, com equipamentos adquiridos tanto pelo setor público quanto pelas empresas.

O deputado Gandini destacou a importância dessa inovação para reduzir os impactos da poeira sedimentável.

“Hoje, quando há um aumento no pó preto, precisamos esperar 40 dias para uma análise. Com essa tecnologia, poderemos intervir no momento exato em que houver um pico de emissão. Esse é um avanço significativo para a fiscalização ambiental no Espírito Santo”, afirmou.

Gandini comparou o sistema de monitoramento à tecnologia usada no controle do diabetes. “Sou diabético e há dois métodos de controle: o tradicional, que exige furar o dedo várias vezes ao dia, e o moderno, que usa sensores para medir a glicose em tempo real. O monitoramento contínuo da poeira sedimentável segue essa lógica: permitirá uma ação mais rápida e eficiente”, exemplificou.

Segundo ele, o objetivo é garantir uma fiscalização mais eficaz e melhorar a qualidade de vida da população capixaba.

Gandini também defendeu que um novo decreto estadual reduza o limite máximo de deposição de poeira sedimentável de 14 g/m² para 10 g/m².

“Esse é um pleito que defendi na Comissão de Meio Ambiente. Se aprovado, será um grande avanço para a qualidade do ar na Grande Vitória”, destacou Gandini.

O ambientalista Eraylton Moreschi, da Associação Juntos SOS ES Ambiental, também enfatizou a necessidade do monitoramento contínuo.

“O pó preto tem aumentado, apesar dos investimentos bilionários da Vale e da ArcelorMittal. Precisamos identificar as fontes desse material e tomar providências imediatas”, alertou.

FISCALIZAÇÃO
O anúncio do monitoramento contínuo ocorreu no contexto da fiscalização dos Termos de Compromisso Ambiental (TCAs) 035 e 036/2018, firmados com a Vale e a ArcelorMittal para reduzir a poluição atmosférica.

Durante a reunião, as empresas apresentaram avanços na implementação de tecnologias como enclausuramento, windfences (barreiras de vento) e canhões de névoa. No entanto, a poeira sedimentável continua sendo um problema para a população.

fotos Lucas Costa/Assembleia Legislativa

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